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DIAS

nua e crua
solto as rédeas
vislumbre do coração
rumo à imensidão

escorre dos meus olhos
o peso do mundo
sob meus ombros
violentos escombros

nos ecos da saudade,
a ressonância da presença
a falta que ela faz,
a vista que se desfaz

VIDAS

como voo de borboleta
ela dança aos céus
promessas e confissões
longe das imperfeições

entre o fardo e fenda
fez-se luz, virou lenda
o pensamento atravessa
o que fica é o que não tem pressa

onde era faísca, hoje é pó
o amor se fez um nó que nos mantém
no teu rastro, a esperança se aninha
e eu sei… jamais caminharei sozinha

há tantas de mim

há tantas de mim, se é que ainda recordo bem sobre quem já ousei ser algum dia.
há tantas de mim, algumas gritam alto pro mundo, outras silenciam até o mais profundo.
há tantas de mim, umas trilham sob a luz, outras passeiam pelos becos do submundo.
há tantas de mim, certas prezariam pela quietude, do que falar e nunca dizer.
há tantas de mim, mas tantas delas nunca seriam quem não precisassem ser.

há tantas de mim, algumas poderiam seguir crer-sendo – e o fazendo de propósito.
há tantas de mim, mapas que não podem situar com precisão a topografia da razão.
há tantas de mim, que já entendo a solidão – onde ela está, está nossa câmara de reflexão.
há tantas de mim, numas a melancolia pinta poesias, outras se desenham melodias.
há tantas de mim, mas tantas outras que ainda ei de encontrar na finita dança dos dias.

há tantas de mim, tantas delas que ainda poderei ser, e serei algum dia.
há tantas de mim, tantas vozes que entrelaçam cantos sob o ar que as reverbera.
há tantas de mim, umas tão excêntricas, outras tantas assim efêmeras.
há tantas de mim, certas buscam entender tudo o que lhes é preciso para transcender.
há tantas de mim, mas às vezes não sei bem aonde encontrá-las sem nos perder.

Elétricas Veias

Desatino em alguns passos leves, meus pés descalços pelos meios fios descapados por onde a eletricidade corre lenta e relampeja faíscas azuis.

Os choques de luz, que passeavam pelo chão e iluminavam a mim e a todo o lugar, não me machucavam.

Como se a dor não me alcançasse ou me deixasse livre por uns instantes de vida. E nesses mesmos vagos segundos que duravam horas em mim, nunca me perguntava onde estaria ou porquê estaria ali.

Apenas sentia toda a liberdade adrenalinada em poder-me ser, como se finalmente encontrasse a tranca que casasse com a chave que me tinha no peito.

Parecia tudo estruturado e casado pra mim mas não lembrava se já havia estado por entre aquelas paredes que os choques azuis apontavam-se amarelas, meio corroídas pelas erosões e tempo.

Nem sempre estive de bem com as minhas memórias pobres e surradas. Sempre as odiei, pra ser sincera.

C

my sweetest little sour
i thought i saw her pretty face
on the bottom of a wine’s bottle
we used drank ‘til we drowned

sounds like poetry,
my devious little dreams
diving into the endless place
with a strange smile upon my face

carry me (carry me)
she’s blooming my aching heart
from the bottom to sky arise
bury me (bury me)
she’s running into the garden
into her wildflower paradise

blood red lipstick, tender white skin
joan crawford eyes, black velvet hair
burnin’ me so good like a cigarette
she’s like a cactus in a rose bush
and i’m a kinda addicted to your rush,

sounds like poetry,
my devious little dreams
diving into the endless place
with a strange smile upon my face

(*)

let’s spend our night.
and dance, dance to the light
die of laughing, again and again
from moonlight ‘til break of dawn

let’s go crazy together
here and now, more than ever
to every color, every sound
around this grey old town

(*)

carry me (carry me)
she’s blooming my aching heart
from the bottom to sky arise
bury me (bury me)
into her forest fire
into her wildflower paradise

fuga em lá

lá na tua fuga, mora a minha casa
no teu refúgio, meu ciúme
sonho tanto, tanto e nada
sonho tanto, tanto e nada

ahh, se eu pudesse te ter…
ahh, se eu pudesse ser… teu mar

(o corpo é pouco pra tanta alma/
o corpo é pouco pra tanta alma)

traguei todos aqueles cigarros
na esperança de te apagar em mim
mas a fumaça que enegrece os pulmões
não descolore os refrões
e os sonhos que sonhei…

ahh, se eu pudesse te ter…
ahh, se eu pudesse ser… teu ar

Revolution without action.

as muitas revoluções da semana,
em 5 segundos o novo vira tempo e é passado a trash vintage.

dos dias corridos ao
voto sem-muito-sentido-ou-partido,
pra crer
ou defender.

ao veto
interno.
astral do inferno.

das agulhas
de volta às milhas
e migalhas.

ao orgulho traído.
coração caído.
aos pânicos,
aos trancos,
a la by myself
mas sem muito ‘eu‘.

ainda moro no mesmo lar de mentira da rua mais hipócrita da cidade.
sou a melancolia do último vagão do último trem das alheias verdades.