há tantas de mim, se é que ainda recordo bem sobre quem já ousei ser algum dia.
há tantas de mim, algumas gritam alto pro mundo, outras silenciam até o mais profundo.
há tantas de mim, umas trilham sob a luz, outras passeiam pelos becos do submundo.
há tantas de mim, certas prezariam pela quietude, do que falar e nunca dizer.
há tantas de mim, mas tantas delas nunca seriam quem não precisassem ser.
há tantas de mim, algumas poderiam seguir crer-sendo – e o fazendo de propósito.
há tantas de mim, mapas que não podem situar com precisão a topografia da razão.
há tantas de mim, que já entendo a solidão – onde ela está, está nossa câmara de reflexão.
há tantas de mim, numas a melancolia pinta poesias, outras se desenham melodias.
há tantas de mim, mas tantas outras que ainda ei de encontrar na finita dança dos dias.
há tantas de mim, tantas delas que ainda poderei ser, e serei algum dia.
há tantas de mim, tantas vozes que entrelaçam cantos sob o ar que as reverbera.
há tantas de mim, umas tão excêntricas, outras tantas assim efêmeras.
há tantas de mim, certas buscam entender tudo o que lhes é preciso para transcender.
há tantas de mim, mas às vezes não sei bem aonde encontrá-las sem nos perder.